Cozinha Afetiva no Córrego do Feijão: projeto resgata memória por meio da comida

    Quem visita o Memorial Brumadinho tem a oportunidade de experimentar a culinária da região, e, de forma respeitosa, celebrar a memória e a identidade local

    Foto: Reprodução Instagram Memórias Cozinha Afetiva

    Por Beatriz Granha

    O coletivo Memórias Cozinha Afetiva produz refeições sob demanda para eventos e recepções e celebra a memória da região por meio de receitas caseiras, feitas com carinho e ingredientes artesanais.

    Localizada junto ao Mercado Central Ipê-Amarelo, a cozinha faz parte de uma rede de pequenos empreendedores do Córrego do Feijão, bairro rural do município de Brumadinho que foi atingido pelo rompimento da barragem da mineradora Vale, em janeiro de 2019, o que acarretou na morte de 272 pessoas e na destruição de parte do território, além dos inúmeros impactos ambientais no local e em diversos municípios próximos.

    Memorial Brumadinho

    No dia 25 de janeiro de 2025, exatos seis anos após o desastre, foi inaugurado o Memorial Brumadinho em memória às vítimas: mantido e gerido pela Fundação Memorial de Brumadinho, o espaço foi construído a partir de um termo de compromisso entre a Vale e a Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho-MG (AVABRUM), por intermédio do Ministério Público de Minas Gerais, e busca honrar e rememorar a vida das vítimas da tragédia. A iniciativa reúne documentos, exposições, produção de acervo e propostas educativas que geram reflexão sobre a maior tragédia humanitária do país, para que acontecimentos semelhantes não se repitam.

    Mercado Central Ipê-Amarelo

    Mais de seis anos após a tragédia, as operações de busca pelas duas pessoas que ainda não foram encontradas continuam, a luta judicial pela responsabilização segue e a população ainda convive com a contaminação. Em meio à dor e à busca por reparação, algumas iniciativas objetivam retomar a vida na região e produzir renda para a população.

    Entre as iniciativas, estão o Mercado Central Ipê-Amarelo, o Centro de Cultura e Artesanato Laudelina Marcondes e o coletivo Memórias Cozinha Afetiva. Utilizando ingredientes agroecológicos vindos da Horta Cheiro Verde, o grupo de moradoras do Córrego do Feijão produz refeições por meio de encomendas e agendamento para grupos e eventos, e produz quitandas para comercialização no Mercado. Temperos, doces, queijos, e azeites compõem a grande variedade de produtos comercializados no Mercado Central Ipê-Amarelo, onde também se encontra peças de crochês, cafés especiais, pães, peças de artesanato, velas, produtos para banho, brinquedos, entre outros, tudo produzido localmente e de forma artesanal pelos Empreendedores em Rede.

    Horta Cheiro Verde

    O grupo, que nasceu com 16 participantes, hoje é mantido por quatro mulheres que dão continuidade ao projeto, em parceria com a Associação Comunitária de Moradores e a Associação de Produtores Locais de Córrego do Feijão, além do Instituto Rede Terra e da Vale. Aline Lopes, cozinheira do Memórias, explica que o projeto surgiu por demanda de almoços para empresas, eventos corporativos e para a própria comunidade. No site oficial Visite Córrego do Feijão, é possível encontrar a seguinte definição: “Combinamos nossas histórias e experiências para oferecer uma cozinha que não apenas alimenta, mas também emociona. Nossa missão é simples: fazer história, celebrar a coletividade através da paixão pela comida afetiva, gerando renda para a comunidade a partir da oferta de experiências gastronômicas carregadas de memórias de nossos antepassados.”

    A empresa, em funcionamento desde 2023, configura-se atualmente como Simples Nacional, é assessorada pelo Rede Terra e gerida pelas cozinheiras, para geração de renda própria. As responsáveis definem o trabalho como “comida agendada”: “Hoje em dia funciona como um buffet, fazemos aniversários, coffee breaks, eventos de empresas de outras cidades e estamos satisfeitas com a demanda e o movimento. Após a abertura do Memorial, muita gente nos procura porque gosta de vir almoçar com a gente”, explica a cozinheira Dilei Assis.

    Filha de uma das vítimas do rompimento da barragem, Aline esclarece: “O nome Memórias remete ao que aconteceu aqui, nós trouxemos o projeto para resgatar um pouco da nossa identidade e da memória dos que se foram, para resgatar as lembranças das nossas famílias. Queremos trazer todo o legado daquilo que já foi, da comida mineira feita em casa e dos pratos que nossas mães e avós faziam no terreiro de casa”.

    Quem visita Brumadinho tem a oportunidade de experimentar a comida fresca, caseira, afetiva, mineira e deliciosa produzida pelas mãos cuidadosas dessas quatro mulheres.Cada detalhe emociona: as refeições são servidas num quintal arborizado, em mesas de madeira cobertas por toalhas coloridas e estampadas, em pratos decorados. Após a experiência, os visitantes têm a chance de adquirir produtos e levar consigo algumas lembranças da região. Fotos: Beatriz Granha

    https://visitecorregodofeijao.com.br/
    https://visitecorregodofeijao.com.br/empreendedores/memorias-cozinha-afetiva/
    https://www.instagram.com/memoriascozinhaafetiva/

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