
Geraldo da Chopana estava dirigindo seu caminhão para o distrito da Vargem, passando pelo Sibrão, uma densa área de florestas entre Passagem, Serrinha, Vargem e Salto. O Sibrão faz parte do Parque do Itacolomi. Segundo entrevista de Geraldo da Chopana ele viu a cobra no final tarde quando ele passava na área da estrada do Sibrão próximo onde o Córrego Belchior com suas águas cristalinas se encontra com o Rio Gualaxo de águas verde escura, próximo a primeira ponte da estrada.

Ele disse que notou algo diferente na estrada, parecia um cano grosso escuro, de um lado a outro ! Mas parou seu caminhão com receio de passar e viu que era uma cobra gigante ! Com o barulho do caminhão, e ele buzinou, a cobra passou e seguiu seu caminho, sentido do Córrego do Belchior ! Ele afirmou que não sentiu medo, achou a cobra muito bonita, lembrando pelo tamanho as cobras enormes que comem boi no pantanal do Mato Grosso. Fica o alerta para quem vai nadar e pescar por aquelas bandas ! Tem cobra gigante na área.
História do nome Córrego do Belchior:

Na região do Itacolomi exploraram ouro Bento Leite e Belchior da Cunha Barreto. Porém os dois abandonaram as lavras devido o fim prematura da lavra de ouro. O nome Belchior batiza o ribeirão cristalino que desce do Itacolomi do lado das Cachoeira das Serrinha em Passagem de Mariana e se junta ao Rio Sibrão. A historiadora Laura Vergueiro em seu livro “ Opulência e miséria das Minas Gerais” publicado em 1981, cita Belchior e Bento Leite como os pioneiros exploradores do ouro no Itacolomi. Bento Leite optou por explorar a região do Lagoão em Passagem, no pé do Itacolomi.
O local onde Belchior formou sua base de mineração e plantação, fica logo depois de descer a Serrinha em Passagem. Lá existe sua casa grande, muros de arrimo, parte de uma calçada e bocas de mina, seguindo um pequeno córrego dágua, importante para as pessoas que moravam lá, pois haviam mais casas, porém se destaca da mata apenas a casa de pedra de dois andares. Isso significa que Belchior ficou bastante tempo explorando a região, há outras ruínas espalhadas seguindo o córrego que a tradição conservou o nome deste primeiro habitante.
Toda área foi abandonada quando o ouro acabou. A mata alta e o difícil acesso protegeram o a casa de dois andares de pedra seca de depredações. Os ciclistas de Mariana também preservam o local arrumando trilhas, colocaram até uma placa com o nome “Trilha da ruína”.
O local deve ser preservado e protegido para legar para outras gerações este testemunho da história das primeiras ocupações dos bandeirantes na região.
Fotos : Leandro Henrique dos Santos.