Entre faltas e conquistas: a resistência da Escolinha Nova Geração no bairro Vila Maquiné em Mariana

    Por: Helena Paz

    Longe dos holofotes e sem patrocínios, assim sobrevive a Escolinha de Futsal Nova Geração, fundada por Flávio Campos em 2008, em Mariana, no bairro Vila Maquiné. Flávio treinava futsal com seu filho e seus sobrinhos de forma informal na quadra do bairro, e, em pouco tempo, muitas crianças e adolescentes começaram a frequentar o local semanalmente.

    Hoje o projeto social é administrado por Lilian Campos e Rita Campos, que assumiram as responsabilidades de seu irmão desde 2022, sempre buscando o melhor para os meninos que frequentam a quadra. A escola atende alunos de 5 a 17 anos todas as segundas, quartas, sextas e sábados. Além de Lilian, Marilda Silva e Adilson Carvalho também se fazem presentes nos treinos como voluntários.

    Segundo a coordenação do projeto, o que mais afeta o desenvolvimento dos alunos é a falta de equipamentos adequados para disputarem campeonatos, além das dificuldades de espaço e de materiais, o que acaba atrapalhando a qualidade dos treinos. Marilda comenta que a quadra do Vila Maquiné deixa a desejar e que isso seria uma responsabilidade da prefeitura: “A prefeitura poderia dar condições para a quadra; o portão foi consertado por um morador da comunidade; o banheiro, o pessoal do bairro limpou, porque não tem chave”.

    Mesmo em busca de retorno dos órgãos públicos para utilizar outras quadras da cidade, não liberam esses espaços para os alunos jogarem. Além disso, Lilian afirma que, às vezes, falta bola para as atividades. Ainda assim, a escolinha Nova Geração já conseguiu revelar alunos destaque, como Oliver Pereira, que hoje está no time base do Atlético Mineiro, e Davi Fernandes, que passou pela base do Fluminense e atua atualmente na equipe de Betim. Isso mostra que, mesmo com a falta de recursos e apoio, há um excelente empenho por parte dos alunos — merecendo atenção, já que a escola acolhe participantes de diversas regiões de Mariana.

    Lilian fala da importância do esporte na vida pessoal e profissional e conta que aquele espaço vai muito além da prática esportiva: é também um lugar de acolhimento para os alunos, que muitas vezes passam por dificuldades em casa e trazem essas demandas para os treinos. Ela ainda explica que a escola Nova Geração é um local de afeto, conselhos e aprendizado para lidar com conflitos internos: “No projeto, a gente tem crianças e adolescentes de vários níveis sociais, e acolhemos todos; muitos têm problemas em casa e não têm acompanhamento da família. Além do futebol, estamos aqui dando conselhos, conversando sobre outros assuntos, como questão de drogas, coisas assim”.

    Marilda também ressalta a importância dessa atenção especial às crianças e adolescentes, principalmente para o desempenho no esporte: “A gente entende que muitos pais não têm mais tempo para acompanhar, e o projeto faz isso: mantê-los mais focados no esporte, para evitar outras coisas. Perguntamos sobre a escola, o que fazem na rua, se saem muito. O que eu quero para o projeto é que esses meninos tenham perspectiva de vida”. Adilson, outro treinador voluntário que frequenta a escolinha há dois meses, também expõe a relevância desse cuidado com os garotos.

    Matheus Moreira, que frequenta a escolinha desde criança, comenta a importância que ela tem em sua vida: “Aqui é bom porque tem muito espaço para quem quer jogar; as mulheres que dão treino para nós sempre buscam apoio para o time e arrumam campeonatos. Estou aqui desde pequeno e sempre me trataram bem”.

    Apesar da falta de condições e da atenção das autoridades, a escolinha Nova Geração evidencia a importância de projetos sociais nas comunidades marianenses, que orientam e educam muitas crianças e adolescentes por meio do esporte, oferecendo oportunidades de lazer e desenvolvimento pessoal.

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