Passagem de Mariana completa 330 anos neste 13 de junho

    Por Leandro Henrique dos Santos

    As primeiras construções em Passagem de Mariana foram no local chamado de Santo Antônio, onde foi erguida uma Igreja, tendo como padroeiro Santo Antônio. Era comum os chefes das bandeiras, expedições que andavam a procurar ouro, quando encontravam dar seu nome ao lugar e criar uma Igreja, com seu santo de devoção, que era seu nome também. O dia estabelecido para oficializar a descoberta : dia 13 de junho, dia de Santo Antônio.

    O santo de cada um era de acordo com o dia que nascia..

    O mesmo aconteceu com Mariana, porém deram o nome de Vila do Carmo, de Nossa Senhora do Carmo, dia 16 de julho de 1696. O rei na época era Dom Pedro II de Portugal ( não confundir com Dom Pedro II do Brasil ) , e ele era devoto de Nossa Senhora do Carmo, assim foi feita uma homenagem a sua devoção, sendo realizado em Lisboa um mês de festa a Nossa Senhora do Carmo. Porém quem descobriu ouro em Mariana foram os mesmos que descobriram no Morro Santo Antônio, que construíram uma capela em honra a Santo Antônio no bairro que chama até de , Santo Antônio ( Prainha)! Mais uma vez.

    Ruínas do Morro Santo Antônio em Passagem, que fazem parte do Parque do Gogo são protegidas pelo IPHAN.

    Porém ficou a data do Morro Santo Antônio dia 13 de junho de 1696 e Vila do Carmo 16 de julho de 1696. Mais tarde Vila do Carmo virou Mariana e a população do Morro Santo Antônio desceu e foi explorar e morar mais embaixo perto do Rio, que batizado como Rio do Carmo! Fizeram uma passagem sobre o rio, bem alta, que deu nome ao novo arraial, Passagem.

    Então podemos dizer que Passagem nasceu no Morro Santo Antônio e o primeiro padroeiro foi Santo Antônio, e o aniversário de fundação comemorava-se no dia de Santo Antônio, 13 de junho.

    Nosso querido e saudoso Monsenhor Flávio Carneiro Rodrigues, professor de história, grego e latim, foi diretor do arquivo da Arquidiocese de Mariana por muitos anos, e sabendo desses fatos históricos na fundação da Vila São Vicente ergueu a Igreja dedicada a Santo Antônio, assim trazendo para Passagem seu antigo Padroeiro.

    ALGUNS NOMES DOS BANDEIRANTES E ORIGEM DOS DISTRITOS DE MARIANA E CIDADES VIZINHAS

    O nome Sibrão é de origem portuguesa; Francisco Cibrão  (Sibrão) nascido em 1662 e Manoel Cibrão ( 1680) foram os primeiros a vir para o Brasil. No  Vale do Mucuri  há  um povoado chamado Cibrão localizado no município Frei Gaspar. A famosa Fazenda do Sibrão próximo a Vargem pertenceu a pessoas descendentes dessa família que deu o nome ao lugar. Porém hoje restam apenas ruínas da imponente fazenda que foi tomada pelo mato e fica a beira da estrada. com duas grandes escadarias de pedra na entrada.

    Miguel Garcia que explorou o rio Gualaxo do Sul e Salvador Fernandez Albernaz no rio Gualaxo do Norte, criando o arrial de Nossa Senhora de Nazaré depois Santa Rita Durão.

     Manuel Garcia fundou o Tripuí, João Pedroso fundou o que se tornou  Cachoeira do Brumado.

     Caetano Pinto de Castro foi o primeiro a criar garimpo de ouro no povoado que deu o nome de seu santo protetor:  São Caetano. Mais tarde mudaram o nome para Monsenhor Horta.

    O bandeirante  Manoel da Costa explorou ouro em Nossa Senhora das Neves,  onde construiu a Igreja que permanece com esse nome, porém o distrito recebeu o nome de Claudio Manoel em homenagem ao Inconfidente que nasceu na Vargem em Mariana.

    Os irmãos Camargos ( Fernando Lopes Camargo, João Lopes Camargo e Thomaz Lopes Camargo) vieram de São Paulo, da capital, e  fundaram o arraial de Camargos que mantem o nome até hoje. Em São Paulo eram influentes e disputavam o poder na Câmara com a família Pires, com quem entraram em guerra e só pararam quando um padre disse que não iria enterrar mais nenhum membro das famílias em cemitério, ficariam expostos ao tempo, e fora de terra santa. Isso apaziguou as duas famílias. Os Pires na corrida pelo ouro fundaram também um povoado em Ouro Preto, o Pires.

    Já os irmãos Bento Rodrigues e Miguel Rodrigues separaram-se, abrindo seus garimpos em locais diferentes, um fundou o distrito de Miguel Rodrigues hoje pertence a Diogo de Vasconcelos e o outro irmão fundou o distrito de Bento Rodrigues em Mariana, que após o estouro da barragem da Samarco Mineração foi arrasado, porém um novo distrito foi construído cerca de 10 KM do antigo lugar e que recebeu o nome de Novo Bento Rodrigues.

    Antônio Furquim da Luz fundou seu garimpo que deu origem ao um povoado que recebeu seu nome, como de costume, e ainda hoje o mantêm, distrito de Furquim. Porém neste distrito houve grande resistência de tribos selvagens dos botocudos que se recusavam a fazer contato, atacaram e destruíram o povoado duas vezes. Próximo dali a tribo se reunia, no local que ainda hoje manteve seu nome indígena: Acaiaca, que significa árvore grande, sagrada, apesar de tentativas de mudar o nome para São Gonçalo do Rio Abaixo. Ter o poder de renomear as localidades era apagar o passado, e dar a própria história o protagonismo. Por isso todos nomes indígenas foram alterados mantendo apenas alguns, como Pico do Itacolomi, ( Menino de Pedra), Piranga ( Rio Vermelho), Guaraciaba, Itabirito, e mais alguns.

    O bandeirante Sebastião Fagundes Varela descobriu ouro no arraial que deu nome de São Sebastião e fundou a Igreja de São Sebastião para honrar seu protetor. Porém o nome foi alterado para Bandeirantes em homenagens aos pioneiros fundadores.

    Antônio Dias de Oliveira veio também pelas matas, e fundou um garimpo que originou um bairro em Ouro Preto.

    Ruínas próximo ao Morro Santo Antônio em Passagem.

     Matias da Silva Barbosa fundou o arraial com seu nome, Matias Barbosa, porém depois virou Barra Longa, devido a grande planície que se forma nas margens do Rio do Carmo por onde se estendeu Barra longa.

    O Padre Domingos Pinto Coelho da Rocha estabeleceu uma fazenda que enviava alimentos para toda região, e atraia muitas pessoas aos quais o padre distribuía terras e deixava quem tivesse braços trabalhar e ajudava nas vendas dos produtos. Estava a frente de seu tempo, acolhia a todos e não tinha ambição, apenas queria servir as pessoas e teve problemas por defender escravizados que abrigava e criava dizendo ser gente sua, nascidos na terra, assim protegendo-os de serem capturados. Sendo padre os vereadores de Mariana deixaram ele quieto com medo de arrumar uma rebelião se tentassem prendê-lo. Quando formou-se uma comunidade numerosa Padre Domingos construiu a Igreja inicial de São Domingos de Gusmão. O local ficou conhecido como São Domingos. Porém posteriormente mudaram o nome para Diogo de Vasconcelos para homenagear esse historiador.

    Para Isaac Rangel vice presidente da ACAM, um povo tem direito a sua história, assim como uma pessoa tem direito a sua certidão de nascimento.

    Mas nem todos bandeirantes davam sorte, às vezes o garimpo acabava logo, a cidade morria, como aconteceu com o bandeirante Gregório Pereira Lima que em 1732 descobriu ouro entre Bento Rodrigues e Santa Rita Durão, fundou sua Igreja dedicada da São Gregório, claro. Em 1747 vendeu a propriedade, fazenda, mina, Igreja, para o Coronel Fraga,  sua família ficou de posse do local até 1850 quando o vendeu para mineração Ouro Fino, ficando o local conhecido por morro do Fraga. Hoje da Igreja e fazendas restam apenas ruínas. Por estar fora da estrada a localidade não progrediu quando o ouro  acabou, ficando apenas ruínas. Foto abaixo. Hoje o local é protegido pelo IPHAN e Vale.

    O bandeirante Belchior da Cunha Barreto e Bento Leite exploraram lavras na localidade e deu seu nome ao cristalino Ribeirão Belchior, que desce da Cachoeira da Serrinha. Seguiram pelo Ribeirão Belchior e pelo rio Sibrão e exploraram ouro na Vargem, mas com pouco sucesso. Passaram a fornecer lenha e cortaram grande parte do Sibrão.

    Buracos de Sari : esquema mostra como eles se comunicam nas minas : técnica africana usada desde os antigos egípcios.

    Antônio Pereira esteve em três lugares, Morro Santo Antônio em Passagem, Bairro Santo Antônio em Mariana, e Antônio Pereira em Ouro Preto. Ele foi considerado um dos bandeirante com maior sucesso, e doou área para construção das ruas da Vila do Carmo, onde é o bairro Santo Antônio Prainha. Depois de enchentes perceberam que lá era perigoso e ele novamente deu outra área maior para construir o que é hoje o centro histórico de Mariana, da Câmara até a Igreja de São Pedro, foi tudo projetado e desenhado em quadrados, que chamamos hoje de quarteirões, no estilo português. Mariana então foi a primeira cidade inteira projeta no Brasil ! Graças a Antônio Pereira. Porém a descoberta do ouro deram ao coronel Salvador Furtado de Mendonça, foi ele que assinou os documentos informando ao rei de Portugal , claro, na política às vezes era assim : outros roubam o mérito de quem realmente merece . Mas a história serve para isso: buscar informações.

    Em breve vamos contar um pouco da vida de Antônio Pereira e você entenderá porque ele nem pode ser eleito vereador na primeira eleição da Câmara de Mariana, mesmo tendo dado o terreno para construir a cidade.

    Mina de Maria Sãbão : na rua do Buqueirão revela uma grande mina a céu aberto, que começa logo depois do restaurante Sinhá Olimpia e vai subindo a rua, por isso o nome boqueirão. Para afastar as pessoas da mina que termina no abismo é contada as crianças a história que lá dentro mora a Maria Sabão que pega as crianças para fazer sabão, quem é de Passagem sabe e tiveram medo de passar ali !