Inteligência territorial transforma dados em instrumentos para o desenvolvimento de Mariana

     

    Trabalho pioneiro do Observatório Econômico de Mariana e do IPC-MARIANA amplia o uso de dados locais no planejamento público e inspira iniciativas de inteligência territorial em outros municípios mineiros

    Mariana tem avançado na construção de instrumentos próprios de inteligência econômica capazes de transformar dados em informações úteis para o planejamento e a tomada de decisões. Nesse processo, destacam-se o Observatório Econômico de Mariana e o Índice de Preços ao Consumidor Municipal (IPC-MARIANA), iniciativas idealizadas pelo secretário municipal de Desenvolvimento, Diversificação e Inovação, Pedro Mol, e executadas com apoio técnico especializado do Instituto Mineiro de Desenvolvimento Socioambiental (IMDS).

    O IPC-MARIANA permitiu ao município passar a acompanhar mensalmente sua própria dinâmica de preços e custo de vida, criando uma série histórica local e possibilitando comparações com indicadores nacionais. O trabalho é complementado por análises da cesta básica, boletins conjunturais e monitoramento de emprego, renda, atividade econômica e desempenho dos diferentes setores da economia municipal.

    A proposta parte de um princípio simples: as transformações econômicas de cada território precisam ser compreendidas a partir de dados locais. Indicadores nacionais e estaduais são fundamentais, mas nem sempre conseguem captar com precisão fenômenos específicos de economias como a de Mariana, marcada pela mineração, grandes investimentos, alterações no mercado de trabalho e mudanças no custo de vida.

    Mais do que produzir estatísticas, o Observatório Econômico de Mariana procura consolidar uma lógica de inteligência territorial, na qual informações econômicas, sociais e demográficas são interpretadas em conjunto e relacionadas às características específicas do município. A intenção é transformar dados em evidências capazes de subsidiar políticas públicas e melhorar a qualidade das decisões.

    A experiência desenvolvida em Mariana também vem se desdobrando em outros municípios de Minas Gerais. Em São Gonçalo do Rio Abaixo, o IMDS atua na estruturação do Observatório de Desenvolvimento Econômico e Social, concebido como instrumento institucional de inteligência territorial. O trabalho envolve monitoramento da atividade econômica, mercado de trabalho, dinâmica populacional, custo de vida e indicadores sociais, além da produção de diagnósticos voltados à diversificação econômica e à inclusão produtiva.

    O município também conta com um painel de dados (Dashboard Intelligence), que organiza e apresenta indicadores estratégicos para facilitar o acompanhamento da realidade econômica e social local. A ferramenta permite uma leitura integrada do território e amplia o acesso dos gestores a dados relevantes para o planejamento e o acompanhamento das políticas públicas.

    A utilização dos dados já tem permitido avançar para análises diretamente associadas às políticas públicas. Estudos recentes relacionam, por exemplo, crescimento econômico, emprego e transferência de renda para discutir estratégias de inclusão produtiva, assim como analisam a política habitacional sob a ótica da retenção de renda, da competitividade territorial e da diversificação da economia de São Gonçalo do Rio Abaixo.

    Outra frente importante foi a pesquisa de impacto econômico da Cavalgada de São Gonçalo do Rio Abaixo de 2026. O levantamento permitiu conhecer o perfil e a origem do público, seus padrões de consumo e permanência no município, além de avaliar os efeitos do evento sobre comércio, serviços, geração temporária de trabalho e circulação de renda. Os resultados ajudam a dimensionar o papel de grandes eventos não apenas como manifestações culturais e de lazer, mas também como instrumentos capazes de movimentar a economia e atrair renda para o território.

    Em Santa Bárbara, a atuação do IMDS combina a estruturação do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico do município com a implantação de um Dashboards Intelligence municipal. O painel integra informações sobre mercado de trabalho, população, educação, saúde, atividade econômica, programas de transferência de renda e outros indicadores relevantes para o planejamento público. Além disso, a realização de estudos de impacto econômico de grandes eventos, como o 48º Torneio Leiteiro e a 32ª Cavalgada de Santa Bárbara, permitiu avaliar os efeitos sobre o comércio e os serviços, a geração temporária de trabalho, a circulação de renda e as repercussões turísticas, culturais e sociais do evento.

    Para ampliar essa capacidade de desenvolvimento de soluções, o IMDS atua em parceria com a AGR Inteligência Econômica, empresa sediada em Mariana e especializada em análise de dados, economia aplicada e desenvolvimento territorial. A cooperação reúne conhecimento econômico, pesquisa aplicada e tecnologia para desenvolver instrumentos de inteligência territorial voltados ao planejamento e à tomada de decisões.

    As experiências de São Gonçalo do Rio Abaixo e Santa Bárbara demonstram que uma metodologia que teve Mariana como território pioneiro, a partir da implantação do IPC-MARIANA e do Observatório Econômico, começa a alcançar outros municípios. Mais do que replicar indicadores, o trabalho considera as características de cada território para produzir diagnósticos, painéis, pesquisas e estudos capazes de responder a problemas concretos da gestão pública.

    Há também outro aspecto importante nessa trajetória: Mariana não apenas utiliza inteligência territorial, mas começa a produzir conhecimento e soluções nessa área. De um lado, o IMDS, instituição local com atuação em inteligência econômica e desenvolvimento territorial; de outro, a AGR Inteligência Econômica, empresa marianense especializada em análise de dados e no desenvolvimento de soluções aplicadas.

    Juntas, as duas organizações contribuem para levar a outros municípios experiências e instrumentos desenvolvidos a partir de uma trajetória que teve Mariana como pioneira, transformando dados em inteligência para apoiar o desenvolvimento dos territórios.