
Por Mariana Amaral
Na última sexta-feira (27), a Câmara Municipal de Mariana sediou a audiência pública de prestação de contas da Secretaria de Saúde, referente ao terceiro quadrimestre de 2025. Durante a reunião, foi apresentado um balanço detalhado da assistência prestada à população no período, marcado por um volume expressivo de atendimentos e por debates sobre a sobrecarga da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em relação à Atenção Primária.
Entre setembro e dezembro, foram realizados 88.341 atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. Além das consultas, as equipes executaram 191.268 procedimentos diversos no âmbito da atenção primária. Na área de prevenção, a Central de Imunização registrou a aplicação de 15.846 doses de vacinas, atendendo desde recém-nascidos até idosos.

Outro destaque foi o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), responsável por 2.362 atendimentos, incluindo visitas de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas às residências dos pacientes.
Com o objetivo de reduzir a demanda reprimida, o município ampliou a oferta de exames e consultas especializadas. Foram realizados 199.790 exames laboratoriais, somando o laboratório municipal e a rede credenciada. Já o ambulatório da Previne contabilizou 15.961 consultas, com destaque para oftalmologia (3.667 atendimentos) e cardiologia (2.041).
Na área de saúde mental, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) registraram 6.942 atendimentos e mais de 15 mil procedimentos no período. A rede de odontologia, por sua vez, ultrapassou 13 mil atendimentos, considerando o Centro de Especialidades, as UBSs e os serviços de urgência.
Apesar dos avanços, a alta demanda na UPA foi um dos principais pontos de preocupação. Somente no último quadrimestre, a unidade realizou 41.476 atendimentos. No acumulado de 2025, o número ultrapassa 103.500 atendimentos.
Um dado que chamou atenção foi a classificação de risco: cerca de 30.635 atendimentos (73%) foram considerados “verdes”, ou seja, casos sem urgência que poderiam ter sido resolvidos nas unidades básicas. O vereador Marcelo Macedo questionou se esse cenário não indicaria fragilidades na Atenção Básica, fazendo com que a UPA funcione, na prática, como um “posto de saúde” de urgência.
Em resposta, a secretária municipal de Saúde, Marilene Romão, afirmou que a pasta tem adotado medidas para reduzir o tempo de espera e reorganizar o fluxo de atendimentos. Entre as ações, destaca-se a ampliação do horário de funcionamento da unidade Centro 1, que já resultou em uma redução de 20% na procura pela UPA por moradores da região.
Para manter a estrutura da rede, o município aplicou 24,86% de sua receita própria em saúde, superando o mínimo constitucional de 15%. Além disso, cerca de R$ 95 milhões provenientes da repactuação foram destinados ao custeio de serviços médicos via consórcios, à redução das filas de cirurgias eletivas e à manutenção da infraestrutura.
A Secretaria de Saúde reforçou que a meta para 2026 é alcançar 85% de resolutividade nas unidades básicas, com o objetivo de desafogar o sistema de urgência e emergência.
Fotos: Mariana Amaral
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