Por: Rozembergue Alex Teixeira

Representantes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Mariana participaram da Tribuna Livre da Câmara Municipal nesta segunda feira 08 de junho de 2026, para apresentar um panorama da instituição, os serviços prestados à população, os desafios enfrentados e os projetos que visam fortalecer o atendimento às pessoas com deficiência intelectual e múltipla no município.
A diretora da APAE Mariana, Lídia Mara Coelho, destacou que assumiu a gestão da entidade em janeiro de 2026 e apresentou um relatório das ações desenvolvidas nos primeiros meses do ano. Atualmente, a instituição atende 164 usuários com idades entre sete meses e 85 anos, sendo referência no município para o acolhimento, desenvolvimento e inclusão social de pessoas com deficiência intelectual e múltipla.
Fundada em 31 de janeiro de 1993, a APAE de Mariana é uma instituição filantrópica e sem fins lucrativos que atua nas áreas de educação, assistência social e saúde. Segundo a diretora, a entidade é a única do município especializada nesse tipo de atendimento, oferecendo suporte não apenas aos usuários, mas também às suas famílias.
Entre os serviços prestados estão o Atendimento Educacional Especializado (AEE), oficinas educativas inclusivas, estimulação cognitiva, orientação socioassistencial, visitas domiciliares, encaminhamentos para a rede de proteção social e atendimentos de apoio psicológico e odontológico. A instituição também desenvolve ações voltadas ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.

Lídia ressaltou que uma das prioridades da atual gestão tem sido ampliar a participação das famílias nas atividades da instituição. Segundo ela, os encontros familiares passaram de 13 participantes no início do ano para 79 famílias envolvidas nas atividades mais recentes, fortalecendo a integração entre a APAE e a comunidade.
Outro destaque apresentado foi a inserção de dois usuários no mercado de trabalho por meio de parceria com uma empresa do município, resultado considerado um importante avanço no processo de inclusão e autonomia dos assistidos.
Durante a apresentação, a diretora também chamou atenção para as dificuldades estruturais enfrentadas pela entidade. Segundo ela, a APAE necessita de investimentos para reforma do telhado, adequação elétrica, revitalização dos banheiros, implantação de fraldários e obtenção de certificações obrigatórias de segurança. Para viabilizar essas melhorias, a instituição conta com recursos oriundos de emendas impositivas destinadas por vereadores do município.

Um dos momentos mais emocionantes da Tribuna Livre foi o depoimento de Ludmila Reis, mãe da jovem Manuela e integrante do Conselho Administrativo da APAE. Em sua fala, ela relatou os desafios enfrentados por famílias atípicas e destacou a importância do acolhimento oferecido pela instituição.
Segundo Ludmila, a jornada das famílias de pessoas com deficiência é marcada por desafios constantes, desde o diagnóstico até as dificuldades enfrentadas na convivência social, educacional e profissional. Ela afirmou que a APAE representa um espaço de acolhimento, pertencimento e felicidade para muitas famílias que convivem diariamente com a exclusão e a falta de oportunidades.
“A minha filha está na APAE porque lá ela é acolhida e feliz”, afirmou emocionada, ao relatar a transformação observada no desenvolvimento e no bem-estar da filha após o ingresso na instituição.
Ludmila também defendeu a ampliação dos serviços oferecidos pela entidade, com mais atividades de estimulação, esporte, música, dança, psicomotricidade, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia, além da melhoria da estrutura física e dos materiais pedagógicos utilizados no atendimento aos assistidos.
Outro tema abordado foi a realização da primeira edição da Corrida APAIxonada, marcada para o dia 27 de setembro. O evento integra um amplo plano de captação de recursos próprios da instituição e tem como objetivo arrecadar fundos para ampliar os serviços oferecidos aos usuários.
A proposta é transformar a corrida em um evento anual, capaz de gerar recursos permanentes para a manutenção e expansão das atividades da APAE. Além do aspecto financeiro, a iniciativa busca proporcionar experiências de inclusão e participação social aos assistidos, que terão a oportunidade de vivenciar o evento ao lado de centenas de atletas e membros da comunidade.
Ao final da apresentação, Lídia Mara Coelho reforçou a necessidade de apoio contínuo do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil para garantir a sustentabilidade da instituição e ampliar os direitos das pessoas com deficiência em Mariana.
“A APAE é uma responsabilidade coletiva. Nosso objetivo é construir uma instituição cada vez mais forte, inclusiva e preparada para transformar vidas”, concluiu.
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