
“Podemos considerar que esse é o maior sítio arqueológico da história da mineração do ouro no Brasil” afirma arqueólogo responsável pela pesquisa. ” Afirma Dr. José Adilson Dias Cavalcanti – Pesquisador do Serviço Geológico do Brasil – Superintendência Regional de Belo Horizonte.
Ele esteve no Parque do Gogo realizando pesquisas e enviou para o jornal O Espeto seu relato :
Estou aqui para fazer meu relato sobre a visita ao Sítio Arqueológico do Morro Santana em Mariana, localizado na região central de Minas Gerais. A visita foi feita com a minha participação (Adilson Cavalcanti) e do geólogo Marcos Cristóvão do Serviço Geológico do Brasil e do Professor Eduardo Campos do Museu Minas do Gogô localizado aqui no Morro Santana.
A visita foi incrível. O sítio possui muitos vestígios que possibilitam a compreensão da história da mineração durante o período colonial no século XVIII, aqui na região de Mariana, no Quadrilátero Ferrífero.
O propósito da visita foi fazer uma descrição sumária do sítio para que o mesmo possa ser catalogado na plataforma Geossit do Serviço Geológico do Brasil.

Essa atividade faz parte do Programa Patrimônio Geológico do Brasil e do Projeto Patrimônio Geológico e Mineiro do Quadrilátero Ferrífero. A região do Morro Santana possui uma grande diversidade de vestígios arqueológicos que nos permitem entender como era a atividade mineradora de extração do ouro durante o período colonial.
São grandes represas, mundéus, poços conhecidos como buracosde sari ou sarrilho. São muitos vestígios, canais de condução de água, muitas ruínas de residências, uma de fundição e de uma Igreja, de Santana do Morro.
Há também muitos pilões associados a mundéus e poços, onde também há muitas pilhas de rejeito do minério que foi tratado durante esse período.
A variedade e a quantidade de vestígios são impressionantes. Podemos considerar que esse é o maior sítio arqueológico da história da mineração do ouro no Brasil. Ele precisa ser preservado e apresentado para o mundo, para o Brasil e para a população de Mariana.
O sítio precisa ser divulgado nas escolas e também para os turistas que visitam a região. O sítio precisa de infraestrutura para poder ser visitado.
O sítio arqueológico do Morro Santana é um dos principais sítios e com maior número de vestígios no Quadrilátero Ferrífero.

Ele também nos mostra o processo de ocupação do território durante o período colonial. Ele era uma vila mineradora e o Quadrilátero Ferrífero é uma região mineradora. Talvez o poder público necessite do apoio das empresas mineradoras que atuam na região para poder transformar esse sítio em um local de visitação pública, pois o mesmo possui um grande interesse científico, educacional e turístico.
Somente o tombamento não é satisfatório.
O sítio precisa ser preparado para visitação de forma segura para os habitantes locais e por turistas de todas as regiões do Brasil e do mundo. É um lugar de altíssimo valor histórico e científico que não pode ser perdido.
Hoje já percebemos indícios da ocupação urbana desordenada tomando parte da área Sítio, e se isso continuar um dia ele pode desaparecer.
E essa relíquia de Mariana não vai ser reconhecida, nem visitada se essa história for perdida.
Nós precisamos conhecer bem a nossa história, nosso passado, para entender para onde estamos seguindo. Mariana já foi um centro minerador durante o século XVIII, assim como Ouro Preto, e essa história não pode ser esquecida.

Nós estamos aqui para lembrar a todos a importância esse sítio, não só para Mariana, mas para toda a comunidade científica nacional e mundial. Então vamos preservar o sítio arqueológico do Morro Santana e também do Morro Santo Antônio em Passagem (Parque do Gogo).
Dr. José Adilson Dias Cavalcanti – Pesquisador do Serviço Geológico do Brasil – Superintendência Regional de Belo Horizonte – Minas Gerais
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