
Leia texto da Psicóloga Domênica Santos Chaves
No carnaval, as fantasias tomam conta das ruas. É uma festa em que muitos se transformam e tudo parece possível, onde cada um pode escolher o que quer ser. Mas a fantasia não existe apenas no carnaval. Ela também estrutura a vida psíquica.
Para a psicologia, fantasias são produções conscientes ou inconscientes que podem funcionar como mecanismos de defesa e válvula de escape diante das frustrações da realidade. Na psicanálise, a fantasia é um roteiro imaginário inconsciente que encena a realização de um desejo e organiza a realidade psíquica de cada sujeito.
É nesse tempo de festa que, por trás das máscaras, por alguns dias, suspende-se algo do real. Não se esquece quem se é. Desloca-se. A fantasia permite contornar o desejo, esconder a dor, adiar os conflitos, dar um descanso ao que cansa por dentro.
E, na vida não fantasiamos apenas sobre nós mesmos. Também criamos fantasias sobre o amor, a família, os filhos, o trabalho, sobre quem deveríamos ser e sobre como a vida deveria acontecer. E, muitas vezes, sofremos quando a realidade não corresponde a esse ideal.
Entre o que imaginamos e o que é real existe um espaço delicado onde a fantasia vive. Às vezes ela protege. Outras vezes, nos distancia de nós mesmos.
Difícil é quando chega a quarta-feira de cinzas. A maquiagem se desfaz, a máscara cai, o silêncio volta. A fantasia já não sustenta como antes. A vida chama de volta, e aquilo que foi evitado permanece ali, esperando ser olhado com mais verdade.
Algo do real retorna.
E o que ficou, insiste.
Alguns deixam a fantasia cair.
Outros seguem vestidos por ela.
A reflexão é: qual é a sua fantasia escolhida? Ela te protege ou te esconde?
Domênica dos Santos Chaves é psicologa, moradora de Mariana.
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